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06 Jul

Parceria entre INCTs para o estudo da dinâmica urbana

Observatório das Metrópoles e InEAC, dois núcleos que integram o Programa Institutos Nacionais de Ciência e Tecnologia (INCTs), estudam parceria científica para desenvolver pesquisas sobre a dinâmica metropolitana. Temas como políticas de segurança pública, educação e conflitos de minorias fazem parte da pauta.

 

Na última semana, o Observatório das Metrópoles e o InEAC participaram da II Feira FAPERJ Ciência, Tecnologia & Inovação, realizada no Centro Cultural da Ação da Cidadania (CCAC), no bairro da Saúde, no Rio de Janeiro. Os dois institutos dividiram o espaço intitulado Metrópole, onde puderam apresentar, ao público presente, vídeos e publicações recentes dos seus pesquisadores.

Segundo o coordenador do InEAC, Roberto Kant de Lima, a participação na Feira FAPERJ significou mais um passo para a formalização da parceria entre os dois núcleos. “Os institutos têm feito uma aproximação gradual no campo da divulgação científica, com a participação em bancas e em processos de avaliação. Vamos agora organizar um seminário para apresentar temas comuns aos dois INCTs e que poderão agregar qualidade às pesquisas, ao fazer dialogar metodologias e pontos de vistas diferentes”, explica.

Para o presidente da FAPERJ, Ruy Garcia Marques, a parceria entre o Observatório das Metrópoles e o InEAC se vincula à proposta fundadora de criação dos Institutos Nacionais de Ciência e Tecnologia (INCTs). “A ideia inicial era ampliar a produção das redes de conhecimento, tendo como enfoque a difusão das pesquisas junto à população. A iniciativa destes INCTs servirá como exemplo de ampliação da rede, com o partilhamento de abordagens metodológicas e melhores resultados para a ciência”, conclui.

InEAC

O Instituto Nacional de Estudos Comparados em Administração Institucional de Conflitos (InEAC) foi aprovado em fevereiro de 2009, pelo Ministério de Ciência e Tecnologia, como parte do Programa “Institutos de Ciência e Tecnologia”, sendo um dos três voltados para pesquisas na área de Segurança Pública. O instituto é sediado no Núcleo Fluminense de Estudos e Pesquisas da Universidade Federal Fluminense (NUFEP/UFF) e utiliza a perspectiva etnográfica e a análise qualitativa dos fenômenos sociais.

De acordo com Roberto Kant de Lima, a ênfase do InEAC é o método comparativo entre a realidade brasileira, sobretudo a presente no Rio de Janeiro, e outras realidades da América Latina e da Europa. Entre os temas, destaque para as questões de segurança pública, educação, minorias e intolerância religiosa a partir do viés do conflito.

“Acredito que a parceria entre InEAC e Observatório das Metrópoles pode ser positiva ao aproximarmos duas formas de investigação científica para refletir sobre a dinâmica urbana e a metrópole. Nós desenvolvemos nossos estudos a partir da abordagem etnográfica, refletindo sobre as políticas de segurança pública, como UPPs, sistema prisional, entre outros, coletando dados qualitativos e quantitativos. Já o Observatório das Metrópoles oferece uma visão macro da metrópole, discutindo questões mais amplas como globalização, mobilidade, habitação etc”, explica Lima.

Temáticas comuns

A metrópole tem sido caracterizada por uma sociabilidade onde está presente o conflito. Segundo o  coordenador do Observatório das Metrópoles, Luiz Cesar Queiroz Ribeiro, quando se trata de discutir políticas de segurança pública, é preciso investigar questões como a criminalidade violenta e o conflito, que são resultado da forma pela qual o território metropolitano se organiza. Diante desse contexto, ele destaca a importância da cooperação com o InEAC, já que os dois institutos têm o compromisso com a produção de informação, dados e pesquisas para as políticas públicas.

“O InEAC faz um trabalho relevante na área da segurança pública, cujas questões incidem diretamente na dinâmica da metrópole e na conformação do seu território. Além disso, vão nos oferecer a técnica da etnografia urbana para pensar os temas de segregação urbano social, habitacional, entre outras. Em contrapartida, o Observatório das Metrópoles fornecerá uma visão de conjunto, uma metodologia baseada na sociologia quantitativa para a abordagem etnográfica”, explica o coordenador.

Luiz Cesar aponta quatro pontos em comum no trabalho dos dois INCTs: i) compromisso de produção de informação, dados e pesquisas para as políticas públicas; ii) vinculação dos temas criminalidade violenta e conflito à questão do território, refletindo sobre esses fenômenos a partir do espaço; iii) reflexão sobre as políticas de segurança pública dentro do quadro das desigualdades; iv) desenvolvimento de pesquisas tendo como foco o Rio de Janeiro, o que significa a possibilidade de complemento de dados e informações.