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21 Jun
Intercâmbio de jovens pesquisadores
Lido 1146 vezes | Publicado em Novidades | Última modificação em Sáb, 23 de Junho de 2012 14:06
 
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Intercâmbio de jovens pesquisadores

O Observatório das Metrópoles tem-se constituído em um instituto com grande capacidade de geração e absorção de jovens pesquisadores. A razão principal para essa conquista se deve ao fato da sua rede de pesquisa ser constituída por vários centros de pós-graduação espalhados por todas as regiões do país, agrupando um leque interdisciplinar com profissionais das áreas da Sociologia, Geografia, Planejamento Urbano, Urbanismo e Economia. Além disso, um dos destaques tem sido o intercâmbio com instituições estrangeiras com o objetivo de promover a troca de conhecimentos e o desenvolvimento de uma rede internacional de estudos urbanos.

Atualmente, o núcleo Rio de Janeiro do Observatório das Metrópoles, localizado no Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano e Regional (IPPUR/UFRJ), desenvolve estudos com pesquisadores-bolsistas estrangeiros.  O francês Michael Chetry, mestre em Planejamento Urbano pelo Institut d’Urbanisme de Lyon (2004) e doutor em Geografia e Planejamento Urbano pela Université Jean Moulin/Lyon 3 (2010), realiza seu pós-doutorado na rede do Observatório, com vinculo da FAPERJ. “No meu doutorado, o meu interesse era a questão da fragmentação urbana nas metrópoles brasileiras com o objetivo de caracterizar a situação das favelas no espaço urbano e os modos de inserção dos habitantes na vida urbana em uma perspectiva comparativa entre duas cidades, Rio de Janeiro e Recife. Eu fiquei um ano e meio no Brasil, período no qual fiz um trabalho de campo em duas favelas de cada cidade”, explica.

“No pós-doutorado, os meus objetivos são especificamente as desigualdades socioespaciais no meio urbano, as dinâmicas da organização das metrópoles, as questões relacionadas à fragmentação urbana. Desse ponto de vista, o contexto brasileiro é muito animador e a pesquisa urbana é de grande qualidade”, completa.

Michael conta que conheceu o trabalho do Observatório das Metrópoles no doutorado, quando utilizou vários trabalhos de professores como Luciana Lago e Luiz Cesar de Queiroz Ribeiro. Ao receber o boletim do instituto, viu a oportunidade da bolsa de pós-doutorado. “Pesquisar no Observatório é uma oportunidade de dar continuidade às minhas pesquisas sobre a questão urbana do Brasil e, em particular, a do Rio de Janeiro. E o melhor é dentro de um laboratório reconhecido pela qualidade do trabalho que tem feito”.

Realidade brasileira a partir dos megaeventos


O percurso de Sara Elizabeth Overmyer foi um pouco diferente. Formada em Psicologia no Texas, Sara foi morar três anos na Argentina com o desejo de conhecer um pouco da realidade latinoamericana. Em Buenos Aires, viu as lutas políticas e a atuação dos movimentos sociais, como também escutava muitas histórias sobre o Brasil. Em seguida, decidiu retornar para os Estados Unidos para fazer mestrado em Políticas Públicas na Lyndon B. Johnson School of Public Affairs, The University of Texas at Autin – uma das mais conceituadas universidades de políticas públicas norte-americanas.

Embora não tivesse definido o objeto da pesquisa, Sara tinha como propósito estudar algo relacionado ao desenvolvimento social no Brasil. Ao fazer uma disciplina com o professor Robert Wilson e lhe falar do desejo de conhecer a realidade brasileira, surgiu a oportunidade. “O professor Robert é amigo do professor Luiz Cesar Ribeiro, coordenador do Observatório. Eles conversaram e foi possível pra mim vir ao Brasil para um estágio de três meses para conhecer as pesquisas da rede do Observatório, sua metodologia e os temas de pesquisa que têm relação direta com a realidade social do Brasil”, conta.

Sara explica que, no exterior, muitas pessoas falam que o Brasil tem melhorado econômica e socialmente; enquanto outros países sulamericanos vivem com muitas dificuldades. Isso fez surgir nela a curiosidade para conhecer essa realidade. “Pra mim é uma oportunidade incrível, ainda mais porque estou no Rio de Janeiro em um período de Rio+20 e megaeventos. Muitos dos meus colegas da universidade do Texas acreditam que a Conferência das Nações Unidas é um encontro somente de lideranças; não sabem da Cúpula dos Povos, dos movimentos sociais que estão envolvidos nesse processo. É muito interessante poder participar disso”, afirma.

No Observatório das Metrópoles, Sara tem participado das discussões e pesquisas do projeto “Metropolização e Megaeventos”, escutando os debates, participando dos eventos dos Comitês Populares da Copa e entrando em contato com uma realidade diferente da divulgada pelos órgãos oficiais e imprensa. “Tem sido interessante observar que, apesar do discurso positivo dos países sobre os megaeventos, muitas vezes o legado para a população não é efetivo. Quais são os efeitos significativos de ter um evento assim nas áreas de moradia, mobilidade urbana, entre outras?”, questiona e completa. “Acho que vou produzir um estudo de caso sobre os megaeventos, aproveitando os dados que o Observatório está levantando para comparar com outros países que também passaram por esse tipo de processo”.

Mobilidade Urbana

O tema megaeventos também chamou a atenção do pesquisador francês Jean Legroux, mestre em “Conflitos e relações sociais na América Latina” pelo Institut d’Etudes Politiques de Rennes (IEP/França), e doutorando em Geografia/Planejamento/Urbanismo pelo Laboratoire d’Economie des Transports, da École Nationale des Travaux Publics d’Etat (ENTPE/Lyon 2). Interessado em pesquisar a sociedade brasileira, especialmente em relação ao tema da mobilidade urbana, Jean encontrou no Observatório das Metrópoles um grupo de pesquisadores desenvolvendo estudos sobre os impactos dos megaeventos no País – Copa do Mundo 2014 e Olimpíadas 2016.

“Escolhi o Observatório pela transversalidade disciplinar e pelos temas abordados; pela afinidade com os trabalhos de professores como Luiz Cesar Ribeiro e Orlando dos Santos Júnior; pela possibilidade de um trabalho de pesquisa coletivo que tem totalmente a ver com meu tema de pesquisa de tese – ‘Metropolização e Megaeventos’, no qual me insiro no campo da mobilidade. Outra razão mais simples é que poucas pessoas conhecem e estudam o Brasil e o Rio de Janeiro no meu laboratório da França, quer dizer, é muito bom pra mim estar em contato com os pesquisadores do instituto, trocar experiências etc”.

“As minhas expectativas neste estágio no Brasil é aprender as abordagens teórico-metodológicas do Observatório, especialmente a análise da segregação urbana, das iniquidades sócio-espaciais. E também aprender coisas concretas sobre a realidade do Rio de Janeiro, como também participar de um projeto coletivo”, completa Jean.