A revista eletrônica e-metropolis convida pesquisadores que tenham como tema os múltiplos aspectos envolvidos nos estudos relacionados à vida nas grandes cidades a submeterem trabalhos para a sua edição nº 13. A revista é direcionada a alunos de pós-graduação que estudam os aspectos relacionados à dinâmica da vida urbana contemporânea e áreas afins e aceita artigos e resenhas nos idiomas português e espanhol, além de publicar ensaios fotográficos. O prazo para submissão é 30 de abril de 2013.
A e-metropolis prioriza trabalhos que garantam o caráter multidisciplinar e que proporcionem um meio democrático e ágil de acesso ao conhecimento e estimulem a discussão sobre os múltiplos aspectos envolvidos na vida nas grandes cidades.
A submissão de trabalhos deve ser feita na página da e-metropolis, onde é possível encontrar maiores informações sobre como publicar.
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Leia mais:
Revista e-metropolis nº 11 – A gestão do saneamento no Brasil
Revista e-metropolis nº 10 – As eleições municipais e a questão metropolitana
Peculiaridades históricas da escravidão em Curitiba
Neste artigo Antônio Domingos Araújo Cunha analisa a participação dos escravos afrodescendentes na economia local da Região Metropolitana de Curitiba, no estado do Paraná. O trabalho trata do processo emancipatório afrodescendente em Curitiba, na medida em que os escravos foram sendo absorvidos e reinseridos em um novo contexto social de liberdade, apontando para a ressocialização e retomada da cidadania, na questão de direitos e liberdades individuais e a inserção e participação local desse grupo na formação do município, buscando destacar essa situação como atípica dentro do panorama nacional.
Introdução
O séc. XVII tornou-se o marco da escravidão negra no Paraná, num cenário que desmantelou a Economia do Estado, especialmente em locais como Paranaguá e Curitiba, a segunda eleita capital da província em 1854, e que imprimiu mudanças na população, ao contrário do restante do Brasil, provocadas pelo ciclo do gado, erva-mate, madeira e do falso surto da mineração. Daí a originalidade deste trabalho, que procura mostrar aspectos não concorrentes com a história da escravidão no Brasil.
Vale dizer que a história da escravidão começou prematuramente no sul do país, não tendo em sua raiz o aliciamento de afrodescendentes, mas de silvícolas, isso porque o Paraná já era habitado por índios dos grupos tupi, caigangues e jês, sendo o último já extinto muito antes do descobrimento do Brasil, no séc. XV. Procura-se, para tanto, demonstrar alguns documentos históricos, que configuram fontes objetivas de análise, para que o leitor entenda a inserção da etnia em foco, no contexto urbano, seu espalhamento, bem como perceba o seu caráter distinto na história do país, visto que em outros estados brasileiros a escravidão se deu de maneira muito mais intensa, embora a participação paranaense no comércio negreiro não ficasse descartada, pois o Porto de Paranaguá viria a ser um dos principais embarcadouros do país, no período em que a proibição dos escravos teria sido formalizada em 1826.
Da mesma forma, procura-se um escopo teórico capaz de alicerçar a hipótese de pesquisa, ou seja, a razão pela qual os negros não são de maneira tão contundente referenciados historicamente na literatura local e nacional, e nem tão pouco na cenografia representada pelos equipamentos urbanos de Curitiba que homenageiam as etnias, focando a objetividade histórica.
Para ler a versão completa do artigo “Peculiaridades históricas e jurídicas sobre os antecedentes e perspectivas da escravidão negra nos arredores da capital do estado do Paraná (RMC*) – BR”, acesse a edição nº 11 da Revista e-metropolis aqui.
Política urbana e gestão democrática: 10 anos de Estatuto da Cidade
Neste artigo, Patrícia Ramos Novaes apresenta os condicionantes históricos do processo de gestão democrática da política urbana, bem como analisa as possibilidades e desafios na perspectiva do direito à cidade após 10 anos da existência do Estatuto da Cidade. As análises foram realizadas através dos dados produzidos pela pesquisa Rede Nacional de Avaliação e Capacitação dos Planos Diretores Participativos, que analisou 526 planos diretores em 26 estados brasileiros e no Distrito Federal, com o objetivo de avaliar os instrumentos do Estatuto das Cidades que foram incorporados pelos Planos Diretores.
As cidades brasileiras expressam os efeitos do modelo de desenvolvimento econômico e urbano que vem sendo adotado nas últimas décadas, caracterizado por uma urbanização que combinou processos migratórios do campo para as cidades e alta valorização do solo urbano, objeto de grande especulação imobiliária. Esses processos provocaram a expansão da periferização e segregação socioespacial.
Nesse contexto, emergiu no país um movimento social organizado em torno da questão urbana, o movimento nacional de reforma urbana, responsável pela elaboração de uma plataforma política em torno do tema, que culminou na formulação do capítulo da Política Urbana na Constituição Federal de 1988 e no Estatuto da Cidade em 2001. No seu âmbito, destaca-se a organização do Fórum Nacional de Reforma Urbana - FNRU, como sua principal expressão no campo dos movimentos organizados e como um dos principais agentes responsáveis pelas conquistas no plano institucional nos últimos anos (De Grazia, Grazia, 2003; SANTOS JUNIOR, 2007).
O ideário da reforma urbana foi resultado da articulação entre décadas de reflexão de profissionais do campo do planejamento urbano e da atuação dos movimentos populares de moradia, tendo como resultado a construção de uma nova ética social que pretendia politizar a discussão sobre a cidade e ao mesmo tempo servir de plataforma política aos movimentos sociais urbanos, fornecendo um horizonte que ultrapassasse as questões locais e específicas (Ribeiro, 1986). Essa ética tem como fundamento a crítica das práticas econômicas que tornam a cidade uma mercadoria e a defesa da democratização dos processos decisórios responsáveis pela definição e gestão de políticas e programas urbanos.
A Constituição Federal de 1988 incorporou alguns preceitos da reforma urbana na medida em que reconheceu a função social da propriedade e a gestão participativa da política urbana. Da mesma forma, a Constituição criou a possibilidade de novos processos e regras políticas capazes de redefinir as relações do Estado com a sociedade, no sentido de criar uma nova institucionalidade democrática. O Estatuto da Cidade ao regulamentar o capítulo da Política Urbana fortaleceu a ideia de que os espaços de representação social na organização e gestão das políticas urbana devem ser alargados para permitir a participação de novos sujeitos sociais.
A gestão democrática é entendida como a participação da população e de associações representativas dos vários segmentos da sociedade na formulação, execução e acompanhamento de planos, programas e projetos de desenvolvimento urbano.
A análise dos principais mecanismos de controle democrático exige uma reflexão entre o momento de sua proposição – anos 1980 – e o da sua implementação – anos 1990. Nos anos 1980, com o processo de redemocratização da sociedade ampliou-se o debate de uma nova relação Estado-Sociedade com a ampliação dos canais de participação direta. Porém, os mecanismos de controle democrático foram implementados a partir dos anos 1990, em um cenário de crise do capital internacional e de uma fase de orientações neoliberais para as políticas públicas.
Esse cenário era contrário à universalização dos direitos sociais definidos pela Carta Constitucional, colocando um desafio aos preceitos da reforma urbana e também à gestão democrática (SANTOS JUNIOR, 2007; De GRAZIA, 2003; RAICHELIS, 2006).
Este artigo pretende analisar as possibilidades e desafios dos instrumentos de gestão democrática da política urbana, após 10 anos de implementação do Estatuto da Cidade. Para isso utilizaremos dados gerados pelo projeto Rede Nacional De Avaliação E Capacitação Dos Planos Diretores Participativos, que analisou 526 Planos Diretores em 26 estados brasileiros e no Distrito Federal, com o objetivo de avaliar os instrumentos do Estatuto das Cidades que foram incorporados pelos Planos Diretores.
Para ler a versão completa do artigo “Política urbana e gestão democrática após 10 anos de Estatuto da Cidade: possibilidades e desafios na perspectiva do direito à cidade”, acesse a edição nº 11 da Revista e-metropolis aqui.
A gestão do saneamento no Brasil: desafios e perspectivas
O acesso aos serviços de saneamento básico é hoje uma questão central para as cidades brasileiras. Parcelas mais pobres da população urbana e grande parte da população rural ainda se encontram excluídas do acesso a esses serviços. No artigo “A gestão do saneamento no Brasil”, destaque da edição nº 11 da Revista e-metropolis, Ana Lúcia Britto faz um balanço do que avançou na área a partir da Lei 11.455/2007, que regula e orienta os serviços de saneamento no país. Segundo a autora, no caso das regiões metropolitanas o caráter sistêmico e integrado dos serviços de abastecimento de água e esgotamento sanitário demanda uma gestão associada.
O artigo “A gestão do saneamento no Brasil: desafios e perspectivas seis anos após a promulgação da Lei 11.455/2007” é um dos destaques da edição nº 11 da Revista eletrônica e-metropolis – publicação trimestral que tem como objetivo principal suscitar o debate e incentivar a divulgação de trabalhos relacionados à dinâmica da vida urbana contemporânea e áreas afins. A Revista e-metropolis é editada por alunos de pós-graduação de programas vinculados ao INCT Observatório das Metrópoles e conta com a colaboração de pesquisadores, estudiosos e interessados de diversas áreas que contribuam com a discussão sobre o espaço urbano de forma cada vez mais vasta e inclusiva.
Gestão do saneamento brasileiro
O estudo Panorama do Saneamento Básico, que subsidia o PLANSAB, Plano Nacional de Saneamento Básico, estima que nas áreas urbanas existam 3,3 milhões de habitantes com abastecimento de água precário, reconhecendo que a insuficiência na qualidade e quantidade de água distribuída se constituem em formas de acesso precário. Nas áreas rurais esse número é de 8,8 milhões de pessoas. O mesmo estudo considera como déficit de atendimento em esgotamento sanitário, além da inacessibilidade ao seu afastamento nos domicílios, a parcela da população interligada a rede mas não servida por sistema de tratamento. Em áreas urbanas este tipo de déficit atinge cerca de 31,2 milhões de habitantes.
Apesar do déficit, os últimos anos indicam aspectos positivos na busca pela universalização do acesso ao saneamento. Desde 2007, o setor conta com a Lei 11.445, que trouxe importantes orientações para a política e para prestação dos serviços. Destaca-se, neste marco regulatório, a adoção de um conceito amplo de saneamento básico, englobando quatro componentes: o abastecimento de água potável; o esgotamento sanitário; a limpeza urbana e manejo de resíduos sólidos e a drenagem e manejo das águas pluviais urbanas; a priorização do acesso aos serviços à população de baixa renda; afirmação do papel do essencial do Estado e do caráter de serviço público do saneamento; a afirmação dos conceitos de regulação, planejamento e avaliação dos serviços; a implantação de regras claras para a delegação dos serviços, dentre as quais a necessidade de plano municipal e de consulta pública; o reconhecimento do controle social como um dos instrumentos da gestão.
A Lei 11.445/2007 determina os princípios que devem orientar a prestação dos serviços: universalização do acesso; integralidade, compreendida como o conjunto de todas as atividades e componentes de cada um dos diversos serviços de saneamento básico, propiciando à população o acesso na conformidade de suas necessidades e maximizando a eficácia das ações e resultados; equidade, sustentabilidade e adoção de métodos, técnicas e processos que considerem as peculiaridades locais e regionais.
Contudo, ainda estamos distantes de ter serviços prestados segundo os princípios da Lei. Observa-se que o setor de saneamento apresenta uma forte resistência à mudanças, que no âmbito da ciência política é caracterizado como dependência de trajetória. As estruturas e as lógicas de gestão do PLANASA, idealizado pelo regime militar são ainda extremamente presentes. A reforma iniciada no governo Lula, com o estabelecimento de novo marco legal para o setor, não consegue se implantar de forma plena, entre outras razões pela inércia dos arranjos prévios. São as diferentes dimensões dessa resistência, os desafios e as perspectivas de mudança para o setor, com foco no abastecimento de água e no esgotamento sanitário, que serão objeto de analise nesse artigo.
Para ler a versão completa do artigo “A gestão do saneamento no Brasil”, de Ana Lúcia Britto, acesse a edição nº 11 da Revista e-metropolis aqui.
Revista e-metropolis nº11
Finalizamos o terceiro ano de e-metropolis com a nossa 11ª edição. Ao longo desse tempo, temos consolidado a revista como um espaço para contribuições sobre o fenômeno urbano, metropolitano e regional. Além dos artigos científicos, abrimos espaços para outros tipos de contribuição que fossem também capazes de impulsionar nosso questionamento sobre a vida urbana e os aspectos múltiplos que se inserem nessa discussão, sejam eles físico-espaciais, políticos, ou sociais. É nessa lógica, partindo do entrelaçamento entre diferentes linguagens como forma de tratar uma questão complexa, que essa edição conta com vídeos que complementam o ensaio fotográfico.
Iniciamos nossa revista com o artigo de capa de Ana Lúcia Brito. A autora traz para a discussão a compli-cada questão do saneamento básico, serviço que apresenta déficit altíssimo em nossas cidades, especialmente nas áreas metropolitanas mais pobres e na área rural de modo geral. A reflexão parte da Lei 11.455/2007, que regula e orienta os serviços de saneamento básico e também exige que os municípios definam políticas de saneamento municipal e planos municipais de saneamento.
Com o artigo “Política urbana e gestão democrática após 10 Anos de Estatuto da Cidade: possibilidades e desafios na perspectiva do direito à cidade”, a pesquisadora Patrícia Ramos Novaes traz para discussão um tema muito caro para o planejamento urbano: o Estatuto da Cidade. O Estatuto – que na sua criação estabelece e fortalece a participação social na definição e gestão de políticas urbanas –, após 10 anos de sua implementação, teve a efetividade de seus instrumentos e mecanismos de gestão democrática avaliados através da análise de implementação de Planos Diretores na primeira década desse século e com isso foi observada a necessidade de reavaliar os instrumentos existentes.
Na sequência, Antônio Domingos Araújo Cunha nos leva para o tema da escravidão afrodescendente na região metropolitana de Curitiba. O artigo “Peculiaridades históricas e jurídicas sobre os antecedentes e perspectivas da escravidão negra nos arredores da capital do estado do Paraná (RMC*) – BR” trata do pro-cesso emancipatório afrodescendente em Curitiba e a inserção e participação local desse grupo na formação do município, buscando destacar essa situação como atípica dentro do panorama nacional.
Saímos da região Sul do país e nos dirigimos ao Nordeste, para uma reflexão sobre a questão do movimento migratório no artigo “Fluxo migratório entre o Cariri Cearense e as capitais brasileiras: evidências de fuga de cérebro”. Aqui, Wellington Ribeiro Justo e Jeovania Cavalcante dos Santos destacam a problemática migratória, a partir dos deslocamentos de entrada e saída de pessoal altamente qualificado na região do Cariri, no Ceará.
Na entrevista desta edição conversamos com o historiador Durval Muniz de Albuquerque Júnior, professor da Universidade Federal de Pernambuco e da Universidade Federal do Rio Grande do Norte e coordenador do grupo de pesquisa “Cartografias espaciais contemporâneas: história, espaços, produção de subjetividades e práticas institucionais”. Durval nos fala sobre o seu livro “Invenção do Nordeste e outras artes”, no qual nos convida a entender a região como uma construção histórica; mais do que isso, destaca essa noção (a do espaço como construção histórica) como um elemento central em suas pesquisas e, também, para nossa reflexão sobre o fenômeno urbano.
O livro recém-lançado “Montréal et la métropolisation: une géogra¬phie romanesque”, do pesquisador canadense Pierre-Mathieu Le Bel, é o foco da resenha de Renata Brauner Ferreira. Le Bel reflete no livro sobre o tema da metropolização de Montreal, Canadá, propondo a interpretação desse processo não da forma como mais comumente é percebido no meio acadêmico, mas a partir da apreensão de qual metropolização e qual Montreal os romances permitem ver. O livro nos leva a refletir como a abertura a outros campos de conhecimento, como a geografia literária, pode contribuir para uma renovação não apenas nos estudos geográficos e urbanos, mas no desenvolvimento das ciências sociais como um todo.
Na seção especial dessa edição, Fernando Pinho nos convida a passear por Lisboa a partir das narrativas da e sobre a cidade através do ensaio “O Dizer Rebelde como uma Escrita do/sobre o Urbano”. A partir de escritos encontrados nas ruas de Lisboa, o autor escolhe para sua análise “o dizer rebelde”, tal como apelidou as formas narrativas que apresentavam uma crítica à crise econômica portuguesa.
Chegando ao fim desse nº 11 trazemos uma questão sempre muito presente nas diferentes regiões do mundo: a devastação provocada, seja nas cidades, seja na área rural, por desastres naturais. Através das fotos da tragédia advinda da passagem do furacão Sandy, na costa leste dos Estados Unidos, em outubro de 2012, Ariel Agai nos leva a refletir sobre dois aspectos dos desastres, em geral: por um lado, estes momentos trazem à tona a capacidade do ser humano de se solidarizar com o outro e servi-lo; por outro, cada vez mais se verifica a inabilidade e o despreparo especialmente dos governos – também dos voluntários que se envolveram no processo de ajuda emergencial – em oferecer aos sobreviventes os meios para a reconstrução de suas vidas após os primeiros socorros. Essa reflexão de Ariel Agai se estende pelos seis vídeos compilados pelo autor para retratar a realidade das famílias e o desamparo legal e assistencial em que se encontram quando a tragédia acaba e é preciso recomeçar. Essa reflexão, embora parta de uma situação específica ocorrida nos Estados Unidos, é importante e muito pertinente também para a realidade brasileira, tendo em vista os desastres frequentes causados por chuvas em todo o país.
Wellington Ribeiro Justo e Jeovania Cavalcante dos Santos destacam a problemática migratória, a partir dos deslocamentos de entrada e saída de pessoal altamente qualificado na região do Cariri, no Ceará, para as grandes cidades. O estudo mostra que mais de 50% da população qualificada acaba movendo-se para outros municípios, pois, a região é incapaz de absorvê-la em sua economia e em sua sociedade. Essa discussão sobre a “fuga de cérebros” resgata a questão de como os movimentos migratórios são estimulados pelos desequilíbrios sociais e regionais no Brasil.
A migração interna é um fenômeno bastante evidente no Brasil e tem sido objeto de vários estudos. O processo migratório é de fundamental importância para o entendimento dos acontecimentos econômicos e sociais de um país, especialmente dos impactos regionais desse fenômeno, uma vez que eles estão relacionados às condições econômicas e sociais de cada região. Ademais, é possível que dentro de um país exista maior mobilidade de pessoas do que entre as nações (em face de menos impedimentos legais, culturais e institucionais). Pode-se esperar que a migração interna seja um fenômeno mais robusto que a internacional, caso haja diferenças, de ordem econômica ou social, entre as regiões da nação em estudo (SABBADINI & AZZONI, 2006). Estudos mostram que é assim no Brasil. Justo (2006), por exemplo, aponta alterações consideráveis no perfil do migrante, entre elas estão a estrutura etária mais envelhecida, maiores renda per capita e nível de escolaridade. Esta última reflete a possibilidade de existência de “fuga de cérebros” entre as unidades da federação do país.
A fuga de cérebros (“brain drain”) é um tipo específico de movimento migratório, ou seja, a emigração de pessoal altamente qualificado que residia em uma dada localidade. Muita ênfase foi dada a esse assunto, a partir da década de 1950, devido ao grande afluxo de migrantes qualificados de regiões menos desenvolvidas para as de maior desenvolvimento econômico e social. Esse fato ocorreu devido a um período em que houve uma maior abertura da economia nacional com entrada de capital externo que proporcionou uma maior demanda pela mão de obra específica.
O questionamento fundamental neste estudo de migração é o seguinte: quais os motivos que levam os “cérebros” que residem na região do Cariri a deixaram suas cidades de origem para as capitais brasileiras? Além do tradicional argumento neoclássico de comportamento maximizador de utilidade intertemporal do migrante, outros argumentos têm sido considerados. Um forte suporte teórico e empírico existe para relevância de variáveis como idade, educação, raça, status do emprego, pobreza, histórico familiar e a expectativa da renda, entre outros. De modo geral, as características pessoais condicionam de forma importante a decisão de migrar. Ao lado dessas, atributos locacionais, amenidades naturais e sociais parecem, também, atuar sobre tal decisão.
No contexto deste trabalho, “fuga de cérebros” é a migração de pessoas mais qualificadas da Região do Cariri com destino às capitais brasileiras.
Portanto, este estudo surgiu do interesse de aplicar uma pesquisa, visando conhecer os fluxos migratórios da mão de obra qualificada na região do Cariri para as capitais brasileiras na última década do século passado. Nesse período, a região foi marcada pelo fortalecimento do ensino superior. Assim, algumas cidades podem ter sido beneficiadas e outras podem ter sofrido impactos negativos com esse acontecimento. A contribuição deste artigo se dá pela ausência de trabalhos neste campo que diga respeito à região estudada. Considera-se, desse modo, que este estudo seja relevante para mensurar o fluxo de pessoas com nível superior que deixam a sua cidade de origem e emigram para uma de destino que lhes proporcionará uma melhor qualidade de vida e que atenda as suas expectativas como profissionais, devido a sua qualificação.
Assim, a pesquisa tem como objetivo mensurar o fluxo migratório de qualificados (cérebros) caririenses para as capitais dos Estados brasileiros e vice versa no período de 1995 a 2000.
Além desta introdução, o estudo apresenta mais três seções: uma se refere ao material e método utilizados na realização da pesquisa, bem como a fundamentação teórica do tema em questão; outra remete à análise do fluxo migratório (entrada e saída) de pessoas qualificadas do Cariri para as capitais brasileiras no período de 1995 a 2000. Finalmente a última seção traz as conclusões do estudo.
Para ler o artigo completo “Fluxo migratório entre o Cariri Cearense e as capitais brasileiras: evidências de fuga de cérebro”, acesse a edição nº 11 da Revista e-metropolis aqui.
O ensaio da edição nº 11 da Revista e-metropolis debate uma questão sempre muito presente nas diferentes regiões do mundo: a devastação provocada, seja nas cidades, seja na área rural, por desastres naturais. No caso, a tragédia advinda pela passagem do furacão Sandy, na costa leste dos Estados Unidos, em outubro de 2012. Por meio de um conjunto de imagens, Ariel Agai nos leva a refletir sobre a capacidade humana de se solidarizar com o outro e servi-lo; e, por outro lado, sobre a inabilidade e o despreparo dos governos no processo de ajuda emergencial.
Essa reflexão de Ariel Agai se estende ainda pelos seis vídeos compilados pelo autor para retratar a realidade das famílias e o desamparo legal e assistencial em que se encontram quando a tragédia acaba e é preciso recomeçar. Essa reflexão, embora parta de uma situação específica ocorrida nos Estados Unidos, é importante e muito pertinente também para a realidade brasileira, tendo em vista os desastres frequentes causados por chuvas em todo o país.
Para ver o ensaio completo “Para além do físico, sobreviventes: furacão Sandy, resposta emergencial e a necessidade por mudanças criativas sistêmicas”, acesse a versão completa da edição nº 11 da Revista e-metropolis aqui.
DEPOIMENTO | Ariel Agai
Acredito que uma das mais valiosas características do ser humano é a motivação empática para assistir aos seus semelhantes. Eu vejo essa característica renovada sistematicamente, e de forma mais destacada durante crises, ou super-momentos: interrupções abruptas no cotidiano; tempos de exacerbada fragilidade vividos em massa.
Como morador de Greenwich Village na cidade de Nova Iorque, não busquei abrigo do estresse e sentimentos de desespero que as pessoas que acompanharam o desastre do World Trade Center à distancia sentiram. Junto aos inúmeras pessoas da região, eu estive fisicamente lá, pronto para ajudar, liberto do peso da imaginação.
Recentemente, e de maneira similar ao onze de setembro, o furacão Sandy teve implicações pessoais únicas, já que fui criado em Staten Island, uma das áreas mais atingidas. Como voluntário, com um machado em uma mão e uma câmera de Iphone na outra, me vi no que eu pensei ser das últimas fases de um processo de ajuda humanitária: limpeza e disseminação de informação.
Mesmo que nossos esforços tenham parecido importantes e restaurativos para minha cidade natal, me dei conta quase imediatamente, que tinha algo critico faltando em nossos esforços, ou inalcançável, dada a escala da tragédia: nossa inabilidade de oferecer aos sobreviventes uma estratégia para a reconstrução de suas vidas apos nossa saída.
Durante essa experiência pude acompanhar o pesadelo das famílias desabrigadas ao navegar totalmente despreparadas por burocracias lentas e ineficazes, os mesmos sistemas que desafiam nossas paciências mesmo nas melhores circunstancias. Os sobreviventes com os quais trabalhei buscavam respostas dos governos local, estadual e federal, com freqüência sem sucesso. Enquanto as políticas das seguradoras afundavam, acabei direcionando meus esforços da demolição e captura de imagens de maneira mais ampla, para assistência as famílias e fundraising. Os voluntários, como eu, passamos a fazer o trabalho que profissionais do direito, finanças e psicologia deveriam estar provendo desde que o Sandy se abateu sobre o território. Isso não era nossa especialidade, mas era evidente que mesmo os mais óbvios conselhos de como proceder eram bem vindos enquanto as pessoas recomeçavam do zero após uma devastação sem solução à vista. Quanto mais me inseria na história, mais claro ficava: os sobreviventes precisavam o que qualquer família com recursos a sua disposição faria, aquilo que as empresas seguradoras e agências governamentais nunca operam sem: representação pessoal-legal.
De maneira muito simples, desde o dia 30 de outubro de 2012 até o momento, a maior parte das famílias afetadas ainda não têm orientação ou assistência profissional mesmo para a questão mais básica: “o que devo fazer agora?” Sem dúvida, devíamos nos perguntar: os sistemas de administração de crise dos governos federal e local têm conseguido fazer seu trabalho com as ferramentas ao seu dispor, eles estão provendo suporte adequado para as vitimas da devastação? Enquanto vítimas são forçadas a disputar por recursos limitados, recursos que podem mudar vidas em nosso mundo interconectado, cada vez mais rápido, estamos usando essas vias de informação para melhorar nossa habilidade?
Com base em minha experiência, posso concluir que, se a principal responsabilidade de uma nação desenvolvida é proteger seus cidadãos, trazê-los das margens de maneira mais rápida e com o menor sofrimento possível, o sistema atual de assistência dos Estados Unidos pede desesperadamente por uma mudança de paradigma.
Atualmente, com os avanços em tecnologias acessíveis, como centrais de comunicação móveis, torres para celulares em miniatura, quiosques pré-fabricados, geradores de energia (inclusive estações de energia renováveis), scanners, smartfones, e laptops; e devido a comunicabilidade de pessoas interessadas através de internet e outras plataformas móveis, podemos, sem hesitação, desenhar um novo plano no jogo de como administrar a resposta imediata em momentos de crise, ambos da perspectiva sistêmica quanto da base, como fica evidente a partir da experiência ganha pelos que têm inovado nesse campo (ver os links abaixo). Ironicamente, temos que desmascarar essas questões com as mesmas ferramentas e tecnologias que poderíamos estar usando para resolvê-las.
Eu realmente acredito que uma das mais valiosas características do ser humano é a motivação empática para assistir a nossos semelhantes. De alguma forma, o poder indescritível da Mãe Natureza nos dá uma oportunidade de encontrar paz no outro durante a neblina dos super-momentos. Existe beleza nesse desconhecido, eles nos demanda viver no presente; inevitavelmente preenche o vazio deixado pela crise e nos dá chance de renovação. Não podemos substituir as perdas materiais, e certamente perda de pessoas que amamos ou amigos, mas podemos aprender dos grupos e indivíduos que estão à frente no re-desenho o modelo e devemos assumir a responsabilidade de aprender dessas experiências para oferecermos ao próximo grupo de sobreviventes um chance para que eles possam verdadeiramente reconstruir suas vidas com dignidade.
Este ensaio nasceu de uma experiência pessoal, vivenciada nos primeiros meses da estadia de Fernando Augusto Souza Pinho em Lisboa (Portugal). Das mediações feitas a partir de uma relação tensa entre curiosidade, surpresa, estranhamento e “estrangeiridade”, emerge um conjunto de fotografias formando narrativas da/sobre a capital portuguesa; com destaque para as imagens que registravam a ocorrência de um modo específico de escrita urbana, chamada pelo autor de “dizer rebelde”. Tal dizer apresentavam uma crítica à crise econômica de Portugal e, de forma mais geral, uma crítica ao capitalismo.
Segundo Souza Pinha, para a discussão desse tipo de escrita urbana – ou como diz Orlandi (2004), dessa forma de narratividade urbana –, foi realizado um recorte e selecionado seis (06) fotografias do conjunto acima referido, as quais constituem o corpus de análise. Os enunciados presentes no “dizer rebelde” foram analisados em sua discursividade, ou seja, em uma relação de significação que alia sujei¬to, história e língua. Interessam, nesta análise, os sentidos desses dize¬res, como eles significam e para quem significam – uma orientação norteada pelo quadro teórico-metodológico da “Análise de Discurso Francesa”.
Para ver o ensaio especial “O dizer rebelde: um escrito da/sobre o urbano”, acesse a versão completa da Revista eletrônica e-metropolis edição nº 11 aqui.
Geografia literária: contribuição conceitual aos estudos urbanos
O livro recém-lançado “Montréal et la métropolisation: une géographie romanesque”, de Pierre-Mathieu Le Bel, é o resultado de sua tese de Doutorado em Geografia defendida na Universidade de Ottawa no Canadá. O trabalho procura a partir do aporte da geografia literária abordar um fenômeno que geralmente é estudado, principalmente, em seu viés econômico e político: a metropolização. Assim, o autor analisa Montreal e a metropolização a partir de um ponto de vista bastante original, um corpus de romances publicados na cidade entre 2003 e 2006.
Entretanto Le Bel abandona um enfoque mais centrado em um autor ou a partir da exploração de uma obra única. O objetivo do autor não é o de estudar cada livro em particular, mas, procurar analisá-los como um todo, o próprio autor explica que não é o caso de tratar cada árvore individualmente, mas, sim de considerar a floresta inteira, de tratá-la como uma paisagem. Para isso Le Bel não deseja constatar se os romances são capazes de analisar a metropolização tal como pode fazer um geógrafo, ou saber ainda se a Montreal dos romances selecionados corresponde à “realidade”. O que lhe interessa é, sobretudo, ver qual metropolização e qual Montreal que os romances permitem ver.
A resenha completa “Geografia literária: muito além da antítese entre ficção e verdade e/ou uma contribuição conceitual e metodológica aos estudos urbanos”, escrita Renata Brauner Ferreira, mestre em História e doutoranda em Planejamento Urbano e Regional na UFRJ, é um dos destaques da edição nº 11 da revista eletrônica e-metropolis.
Acesse a resenha aqui.
Sobre Nordeste, gênero, cultura e outras invenções
O entrevistado da edição nº 11 da Revista e-metropolis é o historiador Durval Muniz de Albuquerque Júnior, professor da Universidade Federal de Pernambuco e da Universidade Federal do Rio Grande do Norte e coordenador do grupo de pesquisa “Cartografias espaciais contemporâneas: história, produção de subjetividades e práticas institucionais”. Durval nos fala sobre o seu livro “Invenção do Nordeste e outras artes”, por meio do qual tematiza a “nordestinidade” e tenta entender a região como uma construção histórica.
Na entrevista concedida à Revista e-metropolis, Durval Muniz falou também sobre a presença da filosofia de Michel Foucault em seu pensamento, sobre gênero, cultura e outros temas presentes em suas atuais reflexões.
ENTREVISTA
Gostaria de iniciar por tua aproximação à filosofia de Michel Foucault, que é perceptível em teus escritos e participações em eventos que discutiram a obra desse filósofo. Como se deu esse contato com o pensamento foucaultiano? Como esse contato influenciou e influencia o teu pensamento e tuas pesquisas sobre cultura, masculinidade, subjetividade, identidade e sobre o Nordeste?
Eu entrei em contato com o pensa¬mento de Michel Foucault quando fiz o mestrado na Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP), no final dos anos 80. Foucault veio ao Brasil na década de 70, mas na historiografia o grande impacto de sua obra se dá com a publicação de Vigiar e punir. Na UNICAMP fiz um curso muito interessante, com o professor Ítalo Tronca, em que li História da Loucura na Idade Clássica e fiquei absolutamente encantado. Fiquei fascinado com o tema da história da loucura e depois com o estilo, a forma de escrever de Foucault. Foi algo de grande impacto sobre mim. Eu tive uma formação marxista, e uma formação marxista a partir da sociologia, de uma sociologia paulista, a partir das obras de Florestan Fernandes, Octávio Ianni, Fernando Henrique Cardoso, que têm uma escrita pesada, conceitual, abstrata... Quando entrei em contato com Foucault, a primeira coisa que me fascinou foi a escrita, além dos tipos de fontes utilizados. Isso chamou muito a minha atenção. E nesse mesmo curso, o do Ítalo Tronca, estudávamos a obra de Edward Thompson, historiador inglês marxista, que tinha, porém, uma escrita diferente, mais literária.
A minha dissertação de mestrado é um reflexo disso, desse momento da UNICAMP. Eu escrevi um trabalho sobre a construção da seca como problema regional e utilizei Foucault e Thompson ao mesmo tempo, algo próximo ao que fez a professora Margareth Rago em seu livro Do cabaré ao lar. Nesse momento o embate na academia se dava com um marxismo mais clássico, tradicional e estruturalista. Havia então essa possibilidade de se articular uma historiografia inspirada em Thompson e aquela inspirada em Foucault. A minha dissertação foi feita assim.
Quando ingressei no doutorado, também na UNICAMP, a conjuntura era outra. Os marxistas mais tradicionais, em grande medida, já haviam se aposentado e a disputa na academia se dava entre uma história social inspirada em Thompson e uma historiografia cultural inspirada em Foucault e em autores dos Annales. Aí já era quase impossível fazer essa articulação, tendo em vista que as raízes desses dois pensamentos são muito diferentes: por um lado você tem um pensamento de matriz iluminista, mais essencialista, com remissão a Platão, e Foucault tem outra tradição, que tem a ver com Nietzsche, com a crítica ao Iluminismo, com a filosofia que vai se chamar “Filosofia da diferença” e com o pós-estruturalismo. Diante disso, me apropriei muito mais das distinções entre essas duas posturas, havendo, portanto, em minha tese de doutorado uma filiação mais cara ao pensamento de Foucault, Deleuze e Guattari.
Mas, antes disso, ao voltar do mestrado, fui aprovado em concurso para a Universidade Federal da Paraíba, no campus de Campina Grande. Entrei para o departamento de História e introduzi essa “nova” literatura lá. O embate novamente se deu com os marxistas, que foram inclusive meus professores. Foi um embate com aquela tradição marxista com a qual havia me formado. O próprio desafio de entrar na universidade, de dar aula e de se contrapor com aquela dominante marxista me levaram a ler cada vez mais e a fazer a complementação ao que eu havia lido na UNICAMP. Quando regressei à UNICAMP para cursar o doutorado, fiz uma disciplina sobre teoria da História com o professor Edgar de Decca. A disciplina durou um ano inteiro e foi muito importante para mim e fez com que eu optasse por trabalhar na área de teoria da História. Quando voltei do doutorado, resolvi especializar-me nessa área.
Mais à frente, fui convidado por Margareth Rago, que foi minha professora no doutorado, a participar de um colóquio sobre Michel Foucault. Foi ela quem deu início aos colóquios Michel Foucault, tendo realizado os dois primeiros eventos na UNICAMP. A partir daí passei a conviver com um grupo de intelectuais de várias áreas – porque Foucault é um autor que atravessa várias áreas do conhecimento – e a cada vez mais me identificar com essa área, embora não trabalhe só com ele – afinal, foi a partir de Foucault que passei a ler uma série de outros autores que estão relacionados com essa forma de ver a história, de entender o mundo. Entretanto, mesmo assim, passei a ser identificado com a obra dele e realmente Foucault me ajuda muito na elaboração da minha obra e do meu próprio pensamento.
Para ler a entrevista completa com o historiador Durval Muniz de Albuquerque Júnior, acesse a edição nº 11 da revista eletrônica e-metropolis aqui.
As Regiões Metropolitanas brasileiras criadas com a Lei Complementar nº 14 de 1973 recebiam em sua nomenclatura uma referência expressa às cidades polos. No entanto, isso não ocorre com a Região Metropolitana do Vale do Aço (RMVA), localizada no interior do estado de Minas Gerais, visto que não expressa em seu nome a cidade polo da área. Neste artigo, Romerito Valeriano da Silva e Leônidas C. Barroso mapeiam os 26 municípios que compõem a RMVA a fim de demonstrar aqueles que exercem maior centralidade. O resultado expõe a elevada desigualdade de desenvolvimento dessa região mineira, com cidades com grandes potencialidades e outras bastante vulneráveis.
O artigo “Conhecendo a Região Metropolitana do Vale do Aço e seu colar metropolitano” é um dos destaques da Revista eletrônica e-metropolis nº 10. Para ler a versão completa, acesse aqui.
RM do Vale do Aço
A criação da Região Metropolitana do Vale do Aço (RMVA) em 1998 foi a legitimação de um processo de conurbação acompanhado por uma intensa integração funcional entre quatro municípios do Vale do Rio Doce: Ipatinga, Timóteo, Coronel Fabriciano e Santana do Paraíso. De acordo com dados do Censo do IBGE de 2010, essa região metropolitana tem cerca de 450.000 habitantes.
A Região Metropolitana do Vale do Aço se enquadra no grupo das regiões metropolitanas emergentes ou incipientes por não ter uma cidade que ocupe de forma contundente a função de cidade polo (Olic, 2003). Em 2006 a lei complementar nº 90 (Minas Gerais, 2006) apresentou um grupo de municípios que, por estarem no entorno da RMVA, são considerados áreas de expansão da RMVA, e por isso, foram inseridos no chamado Colar Metropolitano da RMVA: Açucena, Antônio Dias, Belo Oriente, Braúnas, Bugre, Córrego Novo, Dom Cavati, Dionísio, Entre-Folhas, Iapu, Ipaba, Jaguaraçu, Joanésia, Marliéria, Mesquita, Naque, Periquito, Pingo-d’Água, São José do Goiabal, São João do Oriente, Sobrália e Vargem Alegre.
Os 26 municípios (quatro da RMVA e 22 do colar metropolitano) estão localizados na região leste de Minas Gerais em uma área atravessada por importantes rodovias (BR 381 e 458) e pela ferrovia Vitória Minas (mapa 01), a cerca de 220 km da capital estadual, Belo Horizonte, e no meio do Corredor de Exportação que é usado para escoamento da produção do quadrilátero ferrífero (MG) até o porto de Tubarão, no estado do Espírito Santo.
A emancipação dos municípios dessa área esteve diretamente vinculada à função da região como ponto de passagem da ferrovia Vitória Minas, estratégica para atender à demanda estrangeira pelos minerais metálicos do quadrilátero ferrífero. O período desenvolvimentista que caracterizou o Brasil entre as décadas de 1950 e 1970 criou as condições políticas e econômicas que levaram essa região a ser escolhida pelo governo brasileiro e pelo capital privado estrangeiro para a instalação de importantes indústrias de bens de produção intermediários: duas siderúrgicas, a Usiminas em Ipatinga e a Acesita em Timóteo; e uma fábrica de celulose, a Cenibra, em Belo Oriente. Com a instalação do parque fabril nessas cidades começa a longa relação entre essa região e a produção de aço, que levará tal área a deixar de ser conhecida como o vale de um rio, no caso o Rio Doce, para ser conhecida como o Vale do Aço.
Vários fatores foram considerados para que esses municípios fossem escolhidos para a implantação das referidas indústrias, entre eles, vale destacar: topografia relativamente plana para os padrões do estado de
Minas Gerais, localização a meio caminho entre as fontes de matéria-prima (quadrilátero ferrífero) e os mercados consumidores (porto no estado do Espírito Santo), facilidade de acesso a recursos hídricos (Rio Piracicaba, afluente do Rio Doce) e, fundamentalmente, a proximidade da malha ferroviária (Estrada de Ferro Vitória Minas).
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