Estudo sobre sobre a mobilidade pendular na RM de Curitiba revela maior saída do núcleo metropolitano
O Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social (Ipardes) divulga estudo, com base nos dados do Censo 2000/2010, que aponta o aumento em 185% do volume de pessoas que saem de Curitiba para trabalhar e/ou estudar em municípios da região metropolitana. Caracterizado como movimento pendular este deslocamento revela um fenômeno importante, de que os municípios do entorno de Curitiba estão se fortalecendo e se qualificando em termos de ofertas de trabalho ou opções de estudo, passando a exercer atratividade para a população residente na capital.
O estudo mostra que em 2010, na Região Metropolitana de Curitiba (RMC), 2,4 milhões de pessoas estudavam e/ou trabalhavam, das quais 16,1% (384.754 pessoas) se deslocavam para outro município para realizar essas atividades. O principal motivo de deslocamento era o trabalho. Do total de 1.657.198 pessoas residentes na RMC e que trabalhavam, 318.298 o faziam em município diferente do de residência, volume correspondente a 19,2% das pessoas que trabalham; entre os residentes em Curitiba, o percentual dos que se deslocam para outros municípios é de 6,3%.
Dessas pessoas da RMC que se deslocam para trabalho, 92,6% retornam diariamente para casa. Essa proporção é menor ao se tratar especificamente de Curitiba, onde 83,9% realiza retorno diário. Tal diferença pode estar relacionada a fluxos de Curitiba para municípios mais distantes, seja para o interior do Paraná ou outras UFs.
Ao se comparar as informações de 2010 com as referentes a 2000, observa-se um aumento dos fluxos em Curitiba, particularmente de saída para trabalho e/ou estudo em outro município da RMC: 107.615 pessoas integram novos fluxos de entrada em 2010, o que representa 62% de aumento em relação a 2000; e 46.679 integram fluxos de saída, compondo um acréscimo de 158%. Este crescimento dos fluxos de saída revela um fenômeno importante, que é o fortalecimento de municípios do entorno de Curitiba, que se qualificam em termos de ofertas de trabalho ou opções de estudo, passando a exercer atratividade para a população residente na capital.
Dos fluxos de entrada, 88,2% são oriundos de municípios da própria RMC; outros 5,4%, dos demais municípios do Paraná. Enquanto a participação dos municípios da RMC praticamente se mantém no mesmo patamar de 2000 (88,8%), a dos demais municípios se reduz em 2 pontos percentuais, cedendo lugar a um aumento da participação de fluxos oriundos de outras UFs. Estes somavam, em 2000, 3,8%, elevando-se para 6,4% em 2010, com destaque para Santa Catarina. Em números absolutos, 248.493 pessoas deixam os municípios da RMC para estudo e/ou trabalho em Curitiba, com uma variação de 61% em relação a 2000. A variação nos fluxos de participação de outras UFs é expressiva, sendo superior a 100% em São Paulo e Santa Catarina e aproximando-se a 300% em relação às outras UFs.
Os principais contribuintes da RMC com fluxos para Curitiba em 2010 são os 13 municípios do Núcleo Urbano Central (NUC), além de Mandirituba e Bocaiuva do Sul, todos com mais de mil pessoas; os outros 12 municípios da RMC apresentam movimento que totaliza 3.355 pessoas. De Colombo, entra o maior número de pessoas (56.992), de São José dos Pinhais e Almirante Tamandaré são mais de 30 mil, e de Pinhais, 28 mil. Fazenda Rio Grande, Piraquara, Campo Largo e Araucária contribuem com fluxos entre 10 e 20 mil pessoas. Em todos eles a variação 2000/2010 é superior a 40%, à exceção de Pinhais (31%).
Os dados apontam para um fortalecimento das dinâmicas intrametropolitanas, pois aumenta o número de pessoas que se deslocam, assim como o número de municípios que enviam mais de mil pessoas ao polo.
Por políticas metropolitanas
O estudo do Ipardes mostra ainda que, entre 2000 e 2010, os dados revelam o aumento do número de pessoas que se deslocam e dos municípios que contribuem mais significativamente nesses deslocamentos, cada vez situados mais distante do polo, apontando uma expansão física do NUC da região metropolitana.
Esses processos criam ou complexificam demandas para a provisão e adequação de infraestrutura e serviços, quer propriamente para os deslocamentos (sistema viário urbano e interurbano, sistema de transporte coletivo de qualidade, ágil e integrado, com tarifas compatíveis ao perfil dos usuários), quer para reforço das funções de recepção ou apoio aos familiares que permanecem (creches, escolas, postos de saúde, programas de atenção a idosos, moradia, cultura e lazer).
Tais políticas devem ser mais abrangentes, voltadas para ampliar a dotação de outras funções urbanas, atualmente concentradas no polo, pois embora os fluxos medidos pelo Censo restrinjam-se a trabalho e estudo, o próprio IBGE, em sua publicação Regiões de Influência das Cidades (REGIC, 2007) aponta que há uma ampla variedade de fluxos para acesso a serviços e comércio, entre outros, particularmente os mais especializados e sofisticados, que densificam os deslocamentos diários na região.
Portanto, são necessárias políticas públicas que facilitem e agilizem esses deslocamentos e enfrentem com soluções adequadas as consequências que acarretam às famílias. Mas também, políticas que criem condições a que se reverta a disjunção moradia/trabalho/estudo, resultando em aglomerações com mais subcentralidades, menor assimetria entre os municípios e mais fluidas para a circulação de pessoas e mercadorias.
Acesse o estudo completo do Ipardes “Movimentos pendulares em Curitiba: análise aponta adensamento dos fluxos, expansão do núcleo central e intensificação das saídas do polo metropolitano” aqui.
A pesquisa do Ipardes também foi tema do site G1, que a partir de entrevistas com pessoas que moram na RM de Curitiba mostra as transformações nas perspectivas de trabalho abertas com a refuncionalização do núcleo metropolitano, com efeitos positivos para trabalhadores e com a expansão interestadual da área de relações diretas na busca de pessoas qualificadas para as atuais opções de inserção no mercado de trabalho metropolitano.
Acesse, a reportagem do G1 aqui.
Estudos sobre metropolização – demografia e território
O INCT Observatório das Metrópoles e o Ipardes são parceiros em análises sobre o processo de metropolização das cidades brasileiras, desenvolvendo estudos na perspectiva histórica, demográfica, geográfica e da sociologia urbana. Veja a seguir alguns trabalhos dos dois institutos.
Transição Urbana e Transição Demográfica: pelo direito de apropriar-se da cidade
Regiões Metropolitanas no Brasil: dinâmica populacional e ocupação do território (2000-2010)
Expansão Territorial das Metrópoles: população, economia e tendências
Censo 2010: Brasil ainda metropolitano








